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Analfabetismo na Bahia ultrapassa 1 milhão de pessoas — e Vitória da Conquista chama atenção

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Estado tem a maior população analfabeta do país e taxa quase duas vezes superior à média nacional. Em Conquista, número absoluto chama atenção apesar de o município ter uma das menores taxas da Bahia.

O analfabetismo na Bahia ainda atinge mais de 1 milhão de pessoas. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Educação 2025, divulgados pelo IBGE, mostram que cerca de 1,1 milhão de baianos com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever.

Com esse contingente, a Bahia é a única unidade da Federação com mais de 1 milhão de pessoas analfabetas e concentra aproximadamente 13,7% dos 8,4 milhões de brasileiros que ainda estavam nessa condição em 2025. Enquanto a taxa nacional caiu para 4,9%, a menor da série da pesquisa, a Bahia registrou 9,5%, praticamente o dobro da média brasileira.

Mas quando os números são aproximados da realidade de Vitória da Conquista, o cenário também chama atenção.

Último Censo apontou 26,9 mil pessoas analfabetas em Conquista

Os dados municipais mais detalhados disponíveis vêm do Censo Demográfico de 2022. Naquele levantamento, Vitória da Conquista tinha cerca de 26.900 moradores com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever.

Isso representava uma taxa de 9,1% nessa faixa etária.

Há um detalhe importante por trás desses números.

Por ser um dos municípios mais populosos da Bahia, Vitória da Conquista apresentava o terceiro maior número absoluto de pessoas analfabetas entre os 417 municípios baianos. Ao mesmo tempo, a taxa de 9,1% estava entre as menores do estado — ocupando a 26ª melhor posição nesse indicador.

Ou seja: proporcionalmente, Conquista apresentava situação melhor que grande parte dos municípios baianos. Mas, em números absolutos, ainda havia quase 27 mil pessoas sem acesso a uma habilidade básica para atividades cotidianas como ler uma receita médica, interpretar uma placa, preencher um formulário ou compreender uma mensagem escrita.

Vale destacar que os números de Vitória da Conquista são do Censo de 2022, enquanto os dados estaduais mais recentes são da Pnad Contínua de 2025. Portanto, eles não devem ser tratados como se fossem referentes ao mesmo período.

Analfabetismo na Bahia atinge principalmente a população idosa

O recorte por idade revela uma das faces mais preocupantes do analfabetismo baiano.

Dos aproximadamente 1,1 milhão de analfabetos identificados na Bahia em 2025, cerca de 718 mil tinham 60 anos ou mais. Eles representavam 62,7% de toda a população analfabeta do estado.

Entre os idosos baianos, a taxa de analfabetismo chegou a 28,5%. Para comparação, a média brasileira na mesma faixa etária era de 13,8%.

O dado mostra que o problema atual não pode ser entendido apenas como uma deficiência da educação das crianças de hoje. Grande parte dele é resultado de décadas de exclusão educacional acumulada, sobretudo entre gerações que cresceram quando o acesso à escola era muito mais restrito.

Conquista reduziu o problema, mas desafio permanece

Ao apresentar os dados do Censo durante um debate promovido pela Câmara Municipal em 2025, a coordenadora de divulgação do Censo na Bahia, Mariana Viveiros, destacou que Vitória da Conquista havia conseguido uma redução importante no número de pessoas analfabetas.

Ainda assim, o contingente de 26,9 mil moradores permanecia expressivo.

No mesmo debate, especialistas chamaram atenção para dificuldades de acesso à educação em comunidades mais afastadas e para desafios específicos encontrados pelas populações rurais e quilombolas.

O professor Alberto Bomfim apontou que políticas educacionais nem sempre conseguem alcançar adequadamente grupos com realidades e necessidades distintas. Já a professora Arlete Ramos relacionou parte das dificuldades educacionais locais a problemas como evasão, repetência, transporte escolar e acesso à escola no meio rural.

Isso ajuda a mostrar que combater o analfabetismo não depende apenas da abertura de vagas escolares.

Para jovens e adultos que passaram décadas longe da sala de aula, programas de alfabetização precisam considerar horário de trabalho, deslocamento, idade, realidade econômica, localização da comunidade e até a resistência de pessoas que podem sentir vergonha de retornar aos estudos depois de muitos anos.

Brasil avança, mas Bahia continua distante da média

O contraste entre os resultados nacionais e baianos talvez seja um dos pontos mais relevantes do levantamento.

O Brasil chegou a 4,9% de analfabetismo em 2025, ficando pela primeira vez abaixo da marca de 5% na Pnad Contínua. Ainda assim, aproximadamente 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais continuavam sem saber ler e escrever.

Na Bahia, a taxa de 9,5% evidencia que o estado ainda tem um caminho consideravelmente maior a percorrer.

E, para Vitória da Conquista, os dados locais colocam uma questão concreta diante do poder público e da sociedade:

como alcançar milhares de pessoas que chegaram à vida adulta — e muitas vezes à velhice — sem dominar plenamente a leitura e a escrita?

A resposta não está apenas nas estatísticas.

Ela está na capacidade de localizar essas pessoas, compreender por que ficaram fora da escola e criar condições para que tenham acesso à alfabetização mesmo depois de décadas de exclusão educacional.