Enquanto ruas e avenidas já pavimentadas recebem novas camadas de asfalto em diferentes pontos da cidade, moradores de localidades como o Recanto dos Pássaros ainda convivem com vias sem pavimentação
Vitória da Conquista vive atualmente duas realidades quando o assunto é asfalto.
De um lado, máquinas trabalham na recuperação de ruas e avenidas que já receberam pavimentação no passado e agora passam por recapeamento.
Do outro, moradores de algumas localidades continuam esperando para ver o asfalto chegar pela primeira vez.
O contraste voltou a chamar atenção nesta semana depois que a Prefeitura iniciou a preparação de aproximadamente 160 metros de uma via próxima à Feira do Patagônia para receber uma nova camada asfáltica.
A intervenção contempla a Rua Jorge Amado e também um trecho lateral utilizado como estacionamento próximo à feira. O pavimento existente está passando por escarificação antes da aplicação do novo asfalto.
A obra é uma melhoria importante para uma região bastante movimentada.
Mas ela também levanta uma pergunta que pode ser feita por moradores de outras áreas da cidade:
por que algumas vias já recebem recapeamento enquanto outras ainda aguardam a primeira pavimentação?
Patagônia é apenas mais um dos pontos que receberam recapeamento
O trecho próximo à Feira do Patagônia não é um caso isolado.
A própria Prefeitura informa que o pacote de recuperação da malha viária realizado durante 2026 já alcançou ou está alcançando locais como Avenida Brumado, Avenida Guanambi, Urbis II, Urbis IV, Rua Crescêncio Lacerda e Rua Rotary Club, além de outras vias.
Na Avenida Brumado, por exemplo, o recapeamento do trecho entre o Moinho Sudoeste e a Avenida Integração foi concluído recentemente.
Depois do novo pavimento, a via entrou na etapa de sinalização e reorganização do trânsito.
Na Urbis II, as Vias Locais B e C, próximas à Feira do Rolo, também passaram por recapeamento.
A Prefeitura informou que o pacote contemplou ainda locais como Monte Castelo, Praça Gerson Sales, Avenida Presidente Vargas, Rua Professor Itamar Aguiar, Franklin Ferraz e outros pontos da cidade.
Rua Professor Itamar recebeu 860 metros de recapeamento
Outro exemplo está no Santa Helena.
A Rua Professor Itamar recebeu aproximadamente 860 metros de recapeamento, acompanhados de nova sinalização horizontal e vertical.
A intervenção foi justificada pela importância da rua como corredor utilizado pelo transporte coletivo e pela necessidade de melhorar as condições de circulação.
Na Avenida Crescêncio Lacerda, que liga a região central ao Recreio, foram cerca de 900 metros de recapeamento.
A Prefeitura destacou novamente a mobilidade e a segurança como justificativas para a recuperação do pavimento.
São obras que atendem demandas reais e melhoram a circulação de milhares de pessoas.
Mas basta sair desses corredores e entrar em algumas outras áreas da cidade para encontrar uma realidade bastante diferente.
Recanto dos Pássaros ainda tem ruas sem asfalto
O Recanto dos Pássaros, na região do Felícia, é um dos exemplos.
Em fevereiro de 2026, uma indicação apresentada na Câmara Municipal solicitou com urgência cascalhamento e manutenção das ruas não pavimentadas do Recanto dos Pássaros.
Dois meses depois, em abril, uma nova indicação encaminhada ao Executivo pediu diretamente a pavimentação de ruas do Recanto dos Pássaros.
E a cobrança não parou.
Em outra indicação de 2026, foi solicitado asfalto para a Rua Patativa, no Recanto dos Pássaros, reforçando pedidos apresentados anteriormente em 2023, 2024 e 2025.
Na mesma sessão, houve ainda solicitação de patrolamento e cascalhamento da Rua Patativa e das demais ruas não pavimentadas da localidade.
Isso mostra que a ausência de pavimentação não é apenas uma percepção dos moradores.
O problema aparece repetidamente em documentos oficiais do próprio Legislativo municipal.
A cobrança por asfalto no Recanto dos Pássaros não começou agora
A reivindicação é antiga.
Em 2018, representantes dos moradores do Recanto dos Pássaros e Vila Marina chegaram a utilizar a Tribuna Livre da Câmara para cobrar asfaltamento de aproximadamente 10 quilômetros de vias.
Na época, moradores relataram convivência com lama durante as chuvas e poeira nos períodos secos.
Em 2023, novamente foi apresentada indicação solicitando pavimentação do Recanto dos Pássaros.
Na resposta encaminhada em fevereiro de 2024, a Secretaria Municipal de Infraestrutura informou que buscava recursos para contemplar as vias e que, enquanto a pavimentação não fosse realizada, a manutenção das ruas ocorreria por meio de patrolamento e aplicação de cascalho onde necessário.
Agora, em 2026, novas indicações continuam aparecendo.
Recapear ou levar o primeiro asfalto?
É importante fazer uma distinção.
Recapeamento não é necessariamente desperdício de dinheiro.
Ruas e avenidas já pavimentadas também precisam de manutenção. Com o passar dos anos, o asfalto sofre desgaste, surgem buracos e ondulações e as condições de segurança e mobilidade diminuem.
Em corredores com grande circulação de ônibus, carros e motocicletas, deixar o pavimento se deteriorar pode gerar acidentes, prejuízos aos veículos e custos maiores posteriormente.
O problema é que, para o morador que ainda abre a porta de casa e encontra uma rua de terra, a prioridade naturalmente parece diferente.
Enquanto um cidadão reclama de buracos no asfalto, outro ainda espera pelo próprio asfalto.
São duas demandas legítimas.
E é justamente aí que surge a discussão sobre como a Prefeitura define suas prioridades.
Cidade precisa manter o que já existe e ampliar o que ainda falta
Vitória da Conquista cresceu muito nas últimas décadas.
Novos loteamentos surgiram, bairros se expandiram e regiões antes pouco ocupadas passaram a receber milhares de moradores.
Esse crescimento aumenta a demanda por infraestrutura.
Ao mesmo tempo em que o Município precisa conservar avenidas importantes já pavimentadas, também precisa ampliar drenagem, pavimentação, iluminação e outros serviços para áreas que cresceram sem receber toda a infraestrutura necessária.
Por isso, comparar as duas situações não significa dizer que uma obra de recapeamento deveria simplesmente deixar de existir.
A discussão é sobre equilíbrio e prioridade.
A pergunta fica para quem vive a cidade
No Patagônia, máquinas preparam uma via já pavimentada para receber uma nova camada de asfalto.
Na Avenida Brumado, o recapeamento acaba de ser concluído.
Urbis II, Urbis IV, Santa Helena, Crescêncio Lacerda e outras regiões também aparecem no cronograma recente de recuperação do pavimento.
Enquanto isso, documentos apresentados na Câmara em pleno 2026 continuam mencionando ruas não pavimentadas no Recanto dos Pássaros.
A discussão, portanto, não precisa ser sobre quem merece ou não uma obra.
Pode ser uma pergunta muito mais simples:
na hora de investir em asfalto, Vitória da Conquista deveria priorizar primeiro as ruas que nunca receberam pavimentação ou continuar dividindo os recursos entre novas pavimentações e recuperação das vias existentes?
Essa resposta interessa principalmente a quem mora na cidade.
E você, o que pensa?




