Candidato à reeleição ao Senado pela Bahia, Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal em apuração sobre possível relação com gestores do Banco Master; senador nega irregularidades
O senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição ao Senado pela Bahia em 2026, está entre os investigados em uma nova frente do caso Banco Master que apura pagamentos e possíveis vantagens indevidas relacionadas ao parlamentar e a pessoas de seu núcleo familiar.
Entre as movimentações analisadas pela Polícia Federal está uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo do empresário Augusto Ferreira Lima, para a BN Financeira Ltda., empresa ligada à família de Wagner.
A informação consta da investigação que levou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a autorizar medidas cautelares no âmbito da Operação Compliance Zero.
É importante destacar que a existência da investigação e da transferência financeira não significa que tenha sido comprovado pagamento ilícito diretamente ao senador. A Polícia Federal investiga a origem, finalidade e eventual relação dos valores com a atuação parlamentar de Wagner.
Jaques Wagner é investigado no caso Banco Master
O STF informou que a Polícia Federal investiga indícios de uma possível relação entre gestores do Banco Master, entre eles Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, e o senador Jaques Wagner.
De acordo com a investigação apresentada ao Supremo, uma das suspeitas é de que tenha ocorrido atuação parlamentar voltada a interesses da instituição financeira em troca de vantagens indevidas.
A apuração integra a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e organização criminosa relacionados ao Banco Master.
Em junho, o ministro André Mendonça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares contra investigados.
De onde vieram os R$ 3,5 milhões investigados pela PF?
Um dos pontos que chamaram atenção dos investigadores foi uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda.
Segundo os documentos da investigação, o pagamento foi realizado pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima.
A BN Financeira aparece na investigação por sua ligação com familiares do senador.
A Polícia Federal também identificou registros de outros pagamentos atribuídos a uma pessoa identificada como “Dudu”.
Segundo os investigadores, o apelido corresponderia a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner.
Os registros mencionados na investigação apontariam valores superiores a R$ 2,34 milhões, movimentados por meio de estruturas societárias.
A PF investiga se essas operações tinham relação com vantagens supostamente destinadas ao entorno familiar do senador.
R$ 3,5 milhões não foram transferidos diretamente para Jaques Wagner
Esse é um ponto fundamental para compreender corretamente o caso.
A transferência de R$ 3,5 milhões citada na investigação não aparece como um depósito realizado diretamente na conta de Jaques Wagner.
O que consta nos documentos é uma transferência entre duas empresas: a PKL One Participações e a BN Financeira.
A partir dessas movimentações e de outros elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Federal passou a apurar se existiria uma conexão entre os pagamentos, pessoas próximas ao senador e eventual atuação política relacionada aos interesses do Banco Master.
Portanto, neste momento, trata-se de uma investigação sobre a finalidade dos pagamentos e sobre uma possível contrapartida, e não de uma condenação ou comprovação definitiva de crime.
PF também analisa atuação parlamentar de Jaques Wagner
Outro eixo da investigação trata diretamente da atividade de Jaques Wagner no Senado.
Segundo os documentos apresentados ao STF, a PF apontou interlocuções entre Wagner e Augusto Ferreira Lima relacionadas a temas de interesse do setor financeiro.
Entre os assuntos mencionados pela investigação estão mudanças relacionadas à margem de crédito consignado, discussões envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e questões relacionadas à operação de possível aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os investigadores procuram determinar se essa atuação parlamentar ocorreu regularmente ou se existiu alguma relação entre as medidas e vantagens recebidas pelo senador ou por pessoas próximas a ele.
STF autorizou medidas contra Jaques Wagner
Em 18 de junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal informou oficialmente que o ministro André Mendonça autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o STF, foram determinadas buscas e outras medidas cautelares relacionadas aos investigados.
A decisão foi tomada após representação da Polícia Federal e manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O processo tramita no Supremo em razão da presença de autoridade com foro por prerrogativa de função entre os investigados.
O que Jaques Wagner diz sobre o caso?
Jaques Wagner nega ter cometido irregularidades.
Antes mesmo dessa fase da investigação, o senador havia usado a tribuna do Senado para rebater associações entre os governos petistas da Bahia e o Banco Master.
Em pronunciamento realizado em maio, Wagner afirmou que a origem e a expansão do Banco Master não poderiam ser atribuídas aos governos do PT na Bahia e defendeu que as operações da instituição fossem investigadas.
Após o avanço das investigações, Wagner também contestou a interpretação de que suas relações com empresários representariam contrapartidas ilegais e negou favorecimento ao Banco Master.
As alegações apresentadas pela defesa e pelo próprio senador deverão ser confrontadas com os elementos reunidos pela Polícia Federal durante o andamento da investigação.
Jaques Wagner disputa novamente o Senado pela Bahia
O caso ganha repercussão também por ocorrer durante o período eleitoral.
Jaques Wagner é candidato à reeleição ao Senado pela Bahia nas eleições de 2026.
Ele foi eleito senador em 2018 e anteriormente governou a Bahia por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014, além de ter ocupado ministérios nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A investigação do caso Banco Master ocorre, portanto, enquanto Wagner participa da disputa por mais um mandato no Senado.
A existência da investigação não impede sua candidatura e não equivale a condenação.
Caso Banco Master ainda está sob investigação
As movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas a pessoas próximas de Jaques Wagner constituem apenas uma parte de uma investigação mais ampla sobre o Banco Master.
A Polícia Federal continua apurando a origem e o destino dos recursos, as relações entre empresários e agentes públicos e se houve contrapartidas indevidas.
No caso dos R$ 3,5 milhões, o que está documentado até o momento é uma transferência entre empresas que passou a ser analisada pelos investigadores por suas conexões com pessoas próximas ao senador.
Caberá à investigação estabelecer se os pagamentos tinham origem e finalidade legítimas ou se estavam relacionados às suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
Enquanto não houver conclusão das investigações e eventual julgamento, Jaques Wagner e os demais investigados devem ser tratados como não condenados pelos fatos investigados.




